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NAMIBIANO FERREIRA

(pseudônimo de

JOÃO JOSÉ C. FERREIRA)

 

 

Nasci em Angola, Maio de 1960, no Deserto do Namibe. A cidade de Tombua (Porto Alexandre) foi meu berço dunar e desde logo se estabeleceu um pacto mágico e anímico entre mim, o Povo e o Namibe.

http://poesiangolana.blogspot.com/ http://poesiangolana.blogspot.com/

 

 

        

         FALA DE MAMÃ ZEFA

 

        — Se gordura de Deus cai na lavra
tem muita safra, tem muita safra
para fazer funji* na panela grande.

— Se gordura de Deus não cai na lavra
fica muita fome, fica muita fome
na barriga doente e vida na gente
fica só morrer, morrer...

— Se raiva dos homens cai na lavra
tem muita safra, tem muita safra
debaixo do chão
mandioca sem deus
come só minhas pernas
mata só meus filhos
e eu fico a chorar, só chorar,
só gritar:
Aiuê**, Suku ianguêêêê...

 

             *Funji – alimento com fubá (farinha) de milho,
massango ou mandioca.
**Aiuê, Suku ianguê – Ai meu Deus.

 

 

        
        
NÉVOAS

Vão-se os gorjeios em dias
vazios de sons.

Sobre estas calçadas
frias de granito
não há nada que seja
tempo
som
vento
cheiro bom.
Tudo flui! Tudo é nada!
Só a voz longe-longe das quitandeiras
do Lobito
ressoam ao vento-pregão
percorrendo Caponte e Campão:
— Xi fèrreraaa, cadhuchuuu, mariquitaaa...
enchendo o ar da saudade
do tempo-peixe
do tempo-cheiro
condensado em novelos de cacimbo,
névoas, nada e mais nada.



OLOMBERA

Ombera, a chuva que nos há-de lavar
a alma roída de balas e sofrimento
é a mesma que nos há-de sarar
o corpo amputado e gretado de feridas
fundas e sentidas de sangue vertido
escorrendo em vão, como acácias rubras
assassinadas, pelo chão macerado de nossa Casa.

Essa é Ombera, a chuva bela
que a Paz, enfim, há-de fazer Olombera!

Omber – chuva, em idiomaTxiereri (a língua dos
meus conterrâneos Mukubais) 
Olombera – plural de ombera, no mesmo idioma.

 

 

        

 

ROSTO
Para Dinah


No rasto dos olhos da noite
dos astros
tem o teu rosto
brisa-riso
girassol aquecendo a nudez
da minha praia
mar sem rumo
mastro sem velames
ansiando o astrolábio
rasto de cometa
preso
no marulhar de teus lábios
beijo
carícia de Kianda.

 

 

 

Página publicada em março de 2020

 


 

 

 
 
 
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